No caminho da estação do Areeiro onde saio do comboio até ao emprego passei por um banco de jardim que se situa em frente a uma agência do BES na Praça de Londres. Olhei casualmente para o referido banco e deparei com uma chave de automóvel e comando de alarme esquecidos sobre ele. Alguém que ali se sentara as esqueceu. Agarrei no porta chaves que incluía, além da chave e do comando, uma etiqueta de código de barras do Continente (para acumulação de descontos), uma outra etiqueta da BlockBuster (Aluguer de videos) e uma pequena chapa metálica com um número de 5 dígitos.
Assim que cheguei ao emprego, ciente da aflição que a pessoa deveria estar a sentir ao dar pela perda da chave, tentei, através dos elementos que dispunha, contactar quem as perdera.
Fui à Internet e descobri que a Blockbuster já não opera em Portugal. Aqui, assunto arrumado! Agarrei na etiqueta do Continente e contactei o departamento desta grande superfície que faz a gestão de clientes do cartão. Sabendo que não podem ser facultados os dados associados ao cartão (o que compreendo perfeitamente) solicitei à funcionária que, através do número do cartão, entrasse em contacto com a pessoa facultando-lhe o meu contacto no sentido de lhe ser restituída a preciosa chave... fácil, não é? Errado! A enfadada funcionária comunica-me para meu enorme espanto que não havia contacto nenhum do cliente associado ao cartão. Eu próprio sou detentor de um desses cartões e lembro-me perfeitamente do enorme questionário em que só faltava declarar a cor das minhas cuecas... não tem número de telefone? Estão a brincar comigo? Assumi logo que o "problema" dava muito trabalho e era preferível ignorá-lo.
Desiludido mas não derrotado e ainda com o meu sentido cívico e solidariedade no seu auge, fui novamente à net e consegui o contacto da Mitsubishi (marca de automóvel a que correspondia a chave...esperto eu, não?) e liguei. Atendeu-me um funcionário da referida marca, solicito e amável (se calhar pensando que eu queria comprar um carro!). Expliquei-lhe a situação ao mesmo tempo que ouvia o seu "silêncio". Mencionei a "chapinha numérica" perguntando se o número de 5 dígitos constante na mesma se referia à identificação da chave - confirmado! Sim senhor é essa a identificação da chave. Esbocei um largo sorriso pensando - Porra, consegui! Mas não... muito profissionalmente fui informado que não só não podiam facultar os dados do cliente (isto eu já sabia) como não poderiam informar o cliente porque isso é considerada uma violação de um segredo imposto pela firma!!! Passei-me! Só me faltou chamar-lhe "pai". Disse-lhe estar estupefacto com a falta de sensibilidade e colaboração, não para comigo mas para o cliente que perdeu a chave! O homem, respondeu que, iria tentar saber então de quem se tratava e que me comunicaria o resultado da sua pesquisa. Nunca mais me ligou! Em suma... neste país, os "burocratas de merda" que ocupam lugares provavelmente mais bem desempenhados por pessoas de melhores valores e ética, emperram toda e qualquer tentativa de resolver um (minúsculo) problema. Neste momento, alguém vai ter um enorme transtorno ao ter de mandar fazer uma nova chave (o que custa um balúrdio) ou a mudar a fechadura do carro (um balúrdio ainda maior) porque uns seres miseráveis e burocratas se estiveram a c.... para o assunto.
Desejo sinceramente que uma situação idêntica lhes aconteça mas rezo para que estejam em Vila Real de Trás-os-Montes durante as férias da Páscoa e que deparem com uns mentecaptos iguais a eles próprios.
É nestas alturas que penso que a raça Lusitana está abaixo da classe das amibas...
Nota final: Ainda tenho comigo a referida chave mas não sei o que mais posso fazer para que ela chegue às mãos do seu proprietário... resta esta humilde postagem... se souberem de alguém que esteja nesta situação, por favor informem-no. Obrigado pelo vosso tempo. Ah... e se quiserem comprar um carro, esqueçam a Mitsubishi porque pelos vistos... depois do carro vendido estão por vossa conta. E já agora, quando subscreverem o Cartão Continente e lhes derem aquele enorme questionário perguntem para que serve... se calhar vão ter uma surpresa! Eu mandava-os meter o questionário num sítio "onde o sol não brilha"!
Boas Festas a Todos!





